Depois do que passei ( explicado na postagen anterior) fui "cuscar", como dizem meus amigos portugueses, sobre a questão da resistência ao uso de medicação, problema que creio ser bem recorrente em quem sofre transtornos psiquiátricos, e encontrei um livro de medicina (lá vou eu cuscar coisas além do que me cabe) do qual extraí partes que considero interessantes sobre a obediência à prescrição médica.
Trata-se do livro "Psiquiatria para estudantes de medicina" (não o aconselho para quem não queira mesmo ser médico, pois é um tanto quanto "chatinho") dos autores Alfredo Cataldo Neto, José Ricardo Pinto de Abreu e Fábio Corsetti . Eis o que pude pescar que fosse de nosso interesse:
SOBRE A PRESCRIÇÃO MÉDICA:
" A prescrição médica em geral é o resultado do encontro, consulta ou sessão, entre médico e paciente. Compreende um conjunto de instruções que o psiquiatra transmite e que pode incluir ou não medicamentos. (...) Geralmente instrui ao mesmo [paciente] muito mais do que escreve na receita (...). Tratando-se de medicamentos psicotrópicos, convenções internacionais e legislação nacional regulam seu uso. Justamente pelo fato dos fármacos utilixados pelos psiquiatras produzirem efeitos psíquicos, influírem no comportamento social do paciente, terem a possibilidade de causar dependência, afora outros importantes efeitos adversos, é que a prescrição psiquiatrica tem características peculiares."
SOBRE A POSTURA EMOCIONAL DO PACIENTE:
" Alguns pacientes com características dominadoras verão a medicação como uma ameaça à sua posição contradependente; tomar um comprimido significa submeter-se a uma poderosa figura parental. Esses pacientes devem receber alguma participalçao no controle relativo da sua medicação.
O contrário ocorre com pacientes excessivamente submissos, que sentindo-se cuidados e "alimentados" pela medicação podem decidir por não deixá-la e que não mais precisam responder a quaisquer aspectos de cuidado com a doença. Apegam-se ao medicamento prescrito como forma de evitar o conflito com outros fatores que influiriam diretamente em sua doença (maus hábitos alimentares, conflitos pessoais, tabagismo, etc)
(...)
Os pacientes também podem apegar-se ao medicamento prescrito pelo último médico (...) Esses tipos de transferência são poderosos e podem levar à não aderência, recusa à suspensão e/ou mudança de medicamento. A aderência ao tratamento é diretamente determinada pela aliança terapêutica. As estimativas americanas apontam que 25 a 50% das prescrições médicas não são seguidas. A prática do desperdício com os cuidados médicos básicos soma-se aos altos custos dos mesmos. "
O PACIENTE BIPOLAR
" A resistência ao tratamento também representa uma força de entrave: pacientes com transtornos afetivos bipolares podem gostar tanto de seus episódios maníacos a ponto de suspender o lítio. Pacientes paranóides podem recusar a medicação devido aos efeitos colaterais desagradáveis, sob a fantasia de estarem sendo envenenados. A negação da doença também é uma causa destacada de resistência à medicação. Para alguns pacientes psiquiátricos, o uso de agentes psicotrópicos traz consigo o estigma de doença mental."
Sinceramente, eu nem imaginava quanto trabalho nós do lado de cá do birô damos a nossos médicos. A resistência ou o apego demasiado às medicações acabam por resultar no prejuízo do tratamento e consequentemente na impossibilidade de melhora. Com o auto-conhecimento podemos refletir sobre o que nos atrapalha e mergulhar no tratamento proposto com mais consciência.
Um beijo com gosto de... (melhor nem pensar :-O) e um "xeru" carinhoso.
LIVROS *.*
ResponderExcluirSugestões da Dra Shirley:
"Pense Magro!, de Judith Back
"Demônio do meio dia"
"Senhor dos anéis"
O que estou lendo agora: "O livro da Bruxa", de Roberto Lopes (muuuito bom!) e segunda recebo e começo a ler "Mentes inquietas" =D Nossa, que livro concorrido! Estava em falta em todas as livrarias, tive de reservar. =O
Eeeei, tem gente lendo e não comentando >:(
Sei que você está lendo agora, então escreve aí!!! E o pessoal de Portugal que se manifeste, please! Com acordo ou sem acordo ortográfico quero vocês aqui, pertinho de mim. Ok, Luis? (kkkkk) Kim, já pode dizer pq me ama? Vi teu blog, tá pronto, só falta escrever, não é? Quer um empurrãozinho? Escreveeeeee!!!
Hoje um abraço especial e beeem arrochado para o KJ ;)